Djavan fala sobre criação, futebol, África, os 50 anos de carreira e o amor pela mãe: 'Me ensinou tudo'

  • 09/05/2026
(Foto: Reprodução)
Djavan celebra 50 anos de carreira com turnê O cantor e compositor Djavan estreou nesta semana, em São Paulo, a turnê que celebra seus 50 anos de carreira, e terá shows no Rio em 1, 2 e 8 de agosto. O projeto vai percorrer o Brasil e também países da Europa, África e América do Sul. Antes da estreia, o artista concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal Hoje, em que falou sobre música, inspiração, ancestralidade, televisão, futebol e a relação intensa com o processo criativo. Na véspera do Dia das Mães, também deixou clara toda sua admiração pela sua: "Me ensinou tudo". Durante a conversa, Djavan afirmou que ainda se sente movido pela vontade de compor novas canções e refletiu sobre o que espera das próximas décadas. Leia abaixo trechos da entrevista e assista no vídeo acima. Repórter: O que você enxerga daqui pra frente, pros próximos 50 anos? Djavan: “O que eu enxergo é que a minha predisposição de compor e criar novas canções se mantenha intacta. É isso que me mantém na vida: fazer canções novas, cantar e levar essa música para um público tão diverso e tão generoso comigo.” Repórter: Como é que você mantém acesa a chama da criação? Djavan: “Eu acho que isso é fundamental: você saber que tem gente esperando. Eu me sinto muito privilegiado por ter um público tão grande e tão ávido por ouvir, aprender e querer saber o que vem pra frente.” Repórter: Como você enxerga o mundo hoje? Djavan: “O mundo é algo muito interessante exatamente pelos perigos e pelas oportunidades que ele propõe. Tenho uma certa tristeza com a política, por exemplo. Mas o mundo está coberto de novidades. Viajo o mundo inteiro e observo o quanto a cultura que ele propõe para você crescer e evoluir não cessa.” Repórter: Nessas andanças pelo mundo, quais culturas deixaram mais poeira na sua alma? Djavan: “Desde países como Cuba, Inglaterra, países latinos, do leste europeu... Mas antes dos países, o próprio Brasil. A gente vive num país que propõe um aprendizado cultural cada vez mais denso.” Repórter: O que a África te diz? Djavan: “Eu sempre tive com a cultura negra e africana uma proximidade ancestral. A música negra sempre foi a música em mim. Tenho esse DNA musical completamente advindo da África.” Repórter: É óbvio que a sua identidade musical não foi formada só pela música africana. Djavan: “Não foi mesmo. Eu nasci com uma curiosidade musical muito grande. Com 13 anos, conheci um homem que me disponibilizou uma discoteca que ele tinha em casa. Ali eu ouvi jazz, música americana, música francesa, música flamenca... aquilo me trouxe tudo.” Repórter: E quem era esse homem? Djavan: “Essa pessoa chamava-se Ismar Gatto. Era um médico. Eu cheguei até ele através do filho dele, Márcio, com quem eu estudava no Colégio Estadual de Alagoas.” Repórter: Foi aos 13 anos que você teve certeza de que seguiria a música? Djavan: “Ainda não. A certeza veio aos 16, quando eu descobri o instrumento. Até então eu vivia envolto com a dúvida se seria jogador de futebol ou músico.” Repórter: Dizem que você jogava muito bem. Djavan: “Jogava muito bem e todo mundo achava que eu ia ganhar a vida com aquilo. Eu adoro futebol até hoje.” Repórter: Sua mãe teve um papel importante na sua formação? Djavan: “Ela cantava, fazia versos, fazia uma música para cada filho que nascia. Minha mãe me ensinou tudo. Disse pra mim: ‘Filho, você vai ser cantor’. Eu tenho uma estrutura emocional e ética maravilhosa graças à minha mãe.” Repórter: Sua carreira é extremamente ligada à televisão brasileira. Como foi esse encontro? Djavan: “Começou em 1974, quando comecei a gravar temas de novelas de outros autores. Até chegar em ‘Alegre Menina’, de Dori Caymmi com letra de Jorge Amado, na novela ‘Gabriela’.” Repórter: Você tem uma música predileta? Djavan: “Se eu tivesse, eu não diria. Todas as músicas nascem de maneira igual. Eu tenho um grande amor por todas.” Repórter: E qual é a dor de compor? Djavan: “Física mesmo. Dói a perna, dói o quadril. Você fica ali absorto naquilo. E tem também a coisa do pensar, de mergulhar nas histórias. É tirar leite da pedra.” Djavan, em entrevista ao Jornal Hoje Reprodução/TV Globo Repórter: De onde você se abastece? Djavan: “Minha mãe me ensinou o poder da contemplação. Aprendi a contemplar o firmamento, as plantas, o mundo. As pessoas me interessam muito.” Repórter: Você se considera um poeta? Djavan: “Eu me considero uma pessoa que adora a palavra, a escrita. Talvez um dia eu pare tudo para escrever simplesmente.” Repórter: Então vem um livro por aí? Djavan: “Em algum momento.” Repórter: Às vésperas da turnê de 50 anos, você ainda fica nervoso? Djavan: “Fico. E acho o nervoso bom. Eu quero que seja uma coisa que, quando eu voltar para casa, eu volte feliz.”

FONTE: https://g1.globo.com/guia/guia-rj/noticia/2026/05/09/djavan-fala-sobre-criacao-futebol-africa-os-50-anos-de-carreira-e-o-amor-pela-mae-me-ensinou-tudo.ghtml


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